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Carlos Aparício Clemente
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A ética do interesse

Por Carlos Aparício Clemente - Diretor do Sindicato e coordenador do Espaço da Cidadania 25 fev 2016

A inclusão de pessoas com deficiências no mercado de trabalho é, sem dúvida, um desafio de toda sociedade. Por isso, foi com indignação que recebemos as opiniões do ex-presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Almir Pazzianotto. Em recente artigo publicado no O Estado de S.Paulo, no último dia 16, ele defende que não são das empresas a responsabilidade pelo cumprimento da Lei de Cotas (artigo 93 da lei 8.213/91), mas sim do Estado.

Pazzianoto diz que “a lei não é má”, mas seria melhor se não trouxesse a expressão “está obrigada”, que termina por ser levada “ao pé da letra” por auditores do Ministério do Trabalho.

Infelizmente, opiniões como essas são comuns. Mas, elas não se sustentam nos fatos. Isso porque há pessoas em número muito superior às vagas da Lei de Cotas e há milhões de pessoas capacitadas, mas barradas pelo preconceito.

Na região de Osasco, as metalúrgicas comprovam: 104,6% das vagas geradas pela lei estavam preenchidas em dezembro de 2015, de acordo com pesquisa do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região divulgada na quinta-feira, 18.

Nos anos 1970 e 1980, Pazzianotto representava diversos sindicatos metalúrgicos, inclusive o nosso, nas negociações salariais. Talvez tenham sido os anos de afastamento do diálogo com os trabalhadores que o levam a tantos equívocos. Certamente, não há inocentes neste debate.

Carlos Aparício Clemente

Coordenador do Espaço da Cidadania

e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #10