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Trabalhadores e empresários protestam contra a importação desenfreada de produtos chineses

Por Auris Sousa | 23 out 2013

Os trabalhadores e empresários do setor têxtil e de confecções protestaram nesta quarta-feira, 23, contra a entrada de pessoas na Gotex Show, uma feira de produtos chineses no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, mesmo com a intervenção da polícia. A decisão foi tomada durante o ato público de repúdio contra a importação desenfreada de produtos chineses, que estão provocando o fechamento de empresas e, consequentemente, de empregos no Brasil.

Atores vestidos de chineses participaram da manifestação.

“Estou no setor desde os 13 anos de idade. Hoje estou com 61 anos e não posso aceitar nossos empregos indo embora e nossos governantes não fazerem nada para mudar a situação. O Brasil precisa apenas ter política séria para defender a empresa nacional para que possamos ter condições iguais para concorrer com os produtos importados dentro do País”, declarou Eunice Cabral, presidente da Conaccovest (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados).

Sergio Marques, presidente do Sindicato dos Têxteis SP, disse que é hora de os trabalhadores se unirem e dar um puxão de orelhas naqueles patrões que não tomam atitudes, que acreditam que suas empresas não serão afetadas pela concorrência dos produtos chineses. “Quem importa não se importa com a gente e adquire produtos da China, mesmo sabendo que são feitos por pessoas vítimas com trabalho escravo. Prestem atenção e não comprem produtos importados”, recomendou.

O vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres, propôs fazer uma manifestação maior em frente o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em Brasília contra a desindustrialização que atinge várias categorias. “O pior é que o governo facilita cada vez mais a desindustrialização. Sem a indústria nacional não teremos empregos de qualidade e esta feira tem mais de 600 expositores dizendo como se importa produtos da China”, ressaltou.

Para João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical, O objetivo da manifestação foi garantir empregos no Brasil e mudanças na política de importação.
“Não temos medo da competição. O grande problema é a competição desleal”, declarou Danilo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical estadual. Já Jorge Ferreira, presidente do Sindicato dos Mestres e Contra mestres, destacou a união dos trabalhadores e dos empresários para preservar os empresas e as indústrias do setor.

Claudio Peressim, presidente do Sindicato dos Têxteis de Santa Bárbara d’Oeste, citou como concorrência desleal o salário de U$ 100 dos chineses, que empurram suas mercadorias para o Brasil, que tem carteira de trabalho assinada.

O vice-presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Fernando Pimentel, a manifestação de hoje foi feita a favor do Brasil, dos trabalhadores e da indústria. “Não podemos permitir a entra de produtos vindos de forma livre, leve e solta. Não queremos chegar na situação dos americanos e europeus que hoje lutam para refazer suas indústrias têxteis”, declarou. [Foto: Jaelcio Santana]

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #06