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Ciclo destaca vidas metalúrgicas interrompidas pela covid-19; especialistas defendem que a doença é um agravo relacionado ao trabalho

Por Auris Sousa | 06 jul 2021

Até o momento, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região tem conhecimento de 30 mortes por covid-19 de metalúrgicos que trabalhavam em fábricas de Osasco e região. O dado foi destaque do 42º Ciclo de Debates, que aconteceu na quinta-feira, 1º, e reuniu especialistas renomados sobre saúde do trabalhador que defendem que a doença é um agravo relacionado ao trabalho.

“A nossa percepção é que tenha ocorrido mais que estas 30 mortes. Na maior empresa da base territorial do Sindicato, a Cinpal, aconteceram nove mortes de trabalhadores ativos. Isso mostra a gravidade e que ações devem ser tomadas para amenizar e resguardar os direitos das famílias que perderam seu familiar”, enfatizou o presidente do Sindicato, Gilberto Almazan.

 

A saudade que ficou no lugar de quem partiu em decorrência da covid-19, foi compartilhada por parentes e amigos que enviaram vídeos para o Sindicato. Homenagem que foi seguida por quem estava na sede e subsede de Taboão e escreveu o nome do seu parente, amigo ou colega numa folha de sulfite e registrou a ausência de quem se tornou vítima fatal da doença.

“Perda de vida e de saúde são irreparáveis. A gente não pode ouvir isso sem se indignar e partir para a luta”, destacou Rosângela Gaze, da UFRJ e Fórum Intersindical-RJ, que também foi categórica ao falar: “não se pode negar: a covid-19 é um agravo relacionado ao trabalho e nós precisamos lutar pela vigilância em saúde do trabalhador contínua e sistemática em defesa dos direitos humanos para o controle desta pandemia, colocando o trabalho em sua centralidade no caminhar a vida, colocando o ônus da prova para o patrão, e fazendo uma investigação sistemática de todos os casos e mortes que estiverem acontecendo nos ambientes produtivos”, destacou.

Rosangela Gaze

A pesquisadora Maria Maeno, uma das coordenadoras da pesquisa “Covid 19 como Doença relacionada ao trabalho”, entende que já existe conhecimento amplo de que os locais e as atividades de trabalho são fontes de disseminação do vírus.  “A contaminação por Covid 19 é um acidente de trabalho e os trabalhadores precisam garantir esse reconhecimento”, disse.

SEQUELAS da COVID-19 

Maria Maeno destacou que pesquisas já mostram que grande parte das pessoas contaminadas sofreram sequelas. “Não se sabe por quanto tempo, mas boa parcela fica com sintomas prologados. Mesmo aqueles que tiveram sintomas leve da doença, que não ficaram hospitalizados, tem apresentado cansaço, depressão, entre outras coisas”, explica ela que destaca a importância de os trabalhadores exigirem a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Maria Maeno

O presidente do Sindicato chamou atenção para esta questão: “Temos que estar atentos aos companheiros e companheiras que pegaram a doença e estão com sequelas, e podem ser demitidos se não tiverem seus direitos resguardados. É importante que os trabalhadores que estejam nesta situação procurem o Sindicato”.

Eguimar Chaveiro, da Universidade Federal de Goiás, fez duras críticas ao governo Bolsonaro, ao explicar o contexto social e político no qual a pandemia se deu e destacou que “a pandemia desafia todos nós [especialistas e sindicalistas) a recolocar e reconstituir a consciência de saúde. De uma maneira paradoxal e contraditória, a pandemia é uma revelação das fragilidades de setores que comandam e dominam a sociedade global”.

Eguimar Chaveiro

Ciclo – Neste ano, o Ciclo aconteceu em dois formatos: presencial na sede e subsede de Taboão da Serra, e virtual pelo zoom, com transmissão oficial pela página do Facebook do Sindicato e com mais 14 transmissões simultâneas nas páginas de parceiros (do Espaço da Cidadania, da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), da Força Sindical, do jornal Visão Oeste, do Portal Mundo Sindical, Rádio Peão, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, do Diesat (Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho), do CMS (Centro de Memória Sindical) e da Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo), Agência Sindical e Página do Miguel Torres, presidente de Força Sindical).

Assista à íntegra do Ciclo: 

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #06