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Metalúrgicas preenchem quase 100% da Lei de Cotas

Por Auris Sousa | 11 fev 2015

A cada ano mais trabalhadores com deficiência são contratados pelas metalúrgicas da região de Osasco. Prova disso é que 98,9% das vagas previstas pela Lei de Cotas foram preenchidas em 2014, contra 87,6% do ano anterior. A informação faz parte da 9ª Pesquisa: Trabalhadores com Deficiência no Setor Metalúrgico de Osasco e Região, divulgada nesta quarta-feira, 11, na sede do Sindicato.

A pesquisa também mostra que das 99 empresas, obrigadas pela legislação a preencher de 2% a 5% das vagas com pessoas com deficiência ou reabilitadas, 62,6% delas cumpriram a Lei ou contrataram além da previsão legal. O companheiro Gleison Santana de Lima trabalha numa delas.

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Há quatros, Lima, de 36 anos e deficiente físico, faz parte do quadro de trabalhadores da Meritor, em Osasco. Mas desde 2008 o companheiro faz parte da categoria. Antes disso, trabalhava numa logística e viu sua vida se transformar quando passou a frequentar as atividades do Espaço da Cidadania. “Comecei a participar dos eventos do Espaço lá por 2007. Aprendi muita coisa. Conheci meus direitos. Percebi que podia fazer muitas coisas”, lembra ele, que achava que não podia dirigir.

A primeira mudança na vida de Lima foi a habilitação. Mais seguro de si, o próximo passo foi mudar de profissão, tornou-se um metalúrgico. “Encontrei as portas abertas no ramo [da metalurgia], na logística era bem diferente: agora sou tratado como qualquer outro trabalhador, com direitos e deveres”, explica ele que pretende se qualificar e ingressar numa faculdade.

Mas, infelizmente, o elogia de Lima não cabe para todas as metalúrgicas da região. De acordo com o estudo, 5,1% das empresas não respeitam a Lei de Cotas. No período, elas “não mantinham sequer um trabalhador com deficiência em seus quadros, ignorando a comunidade onde está instalado o estabelecimento”.

“O descumprimento são casos isolados. Ficou fácil [para o Sindicato] completar o trabalho”, enfatizou o vice-presidente do Sindicato e coordenador do Espaço da Cidadania, Carlos Aparício Clemente”.

A categoria só agradece. “Sinto-me feliz por estar incluso, por ter direito ao trabalho e não depender de ninguém”, conta Lima.

Concentração por deficiência – O estudo apontou outro problema: preferência por deficiência. Segundo o levantamento, 41,6% dos contratados na Lei das Cotas tinham algum tipo de deficiência física e 31,7%, auditiva, seguidos por deficientes visuais (8%), intelectuais (3,9%), pessoas com deficiências múltiplas (1,6%) e reabilitados (13,2%).

Autoridades, sindicalistas e empresários da região prestigiaram a divulgação da pesquisa. Assim como trabalhadores com deficiências que atuam na metalúrgica, e entidades e militantes que lutam pela inclusão.

 

 

 

 

 

 

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #03