FIQUE SÓCIO!
Notícias
COMPARTILHAR

A cada 20 dias, um acidente grave fere ou mata um metalúrgico na base do Sindicato

Por Cristiane Alves | 06 jul 2017

Um companheiro metalúrgico perde a vida ou é gravemente ferido a cada 20 dias, nos 12 municípios da base territorial do nosso Sindicato. O dado alarmante foi divulgado na noite desta quarta-feira, 5, no primeiro encontro do 38º Ciclo de Debates, e faz parte de uma pesquisa elaborada pelo nosso Sindicato.

Foram analisados 94 acidentes graves ou fatais ocorridos entre maio de 2010 e maio de 2016. A cada ano, morreram três trabalhadores. Todos os casos foram objeto de pedido de fiscalização ao Ministério do Trabalho.

Porém, saber do acidente não significa agir rapidamente para coibir o problema. Isso porque a fiscalização chega ao local somente 27 dias depois. Já o relatório demora 151 dias para ficar pronto e um ano e três meses para chegar ao Sindicato. “Essa demora, com certeza, explica o alto número de acidentes porque há casos de reincidência”, analisa o secretário-geral do Sindicato, Gilberto Almazan.

Os resultados do levantamento serão apresentados ao Ministério do Trabalho e demais órgãos competentes em busca de uma solução efetiva. “Há anos buscamos melhorar as condições de trabalho da Gerência Regional, que sofre com o déficit de fiscais. Ao mesmo tempo, não deixamos de denunciar o descaso com a saúde dos trabalhadores”, explica Gilberto.

Enquanto a solução não vem, os trabalhadores têm reduzidas as chances de buscar seus direitos na Justiça, devido à demora na conclusão do relatório, um dos documentos fundamentais para apresentar ao INSS. O próprio órgão também perde, já que o relatório é usado para elaboração de ações regressivas, com as quais o INSS pode reaver junto às empresas os recursos pagos em benefícios por conta dos acidentes. Para 32% dos acidentados, o acidente provocou 30 dias de afastamento; 2,7% deles ficaram inválidos para o trabalho. 

Ao mesmo tempo, o Sindicato orienta os trabalhadores a relatarem os casos de acidentes nas suas empresas, por meio do Whatsapp (11) 96078-0209. Na maioria das vezes, é o relato de um companheiro que garante ao acidentado as chances de ter seus direitos respeitados.

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #28