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Monica Veloso
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CARTA ABERTA ÀS TRABALHADORAS E AOS TRABALHADORES DO BRASIL

Por Monica Veloso - Vice Presidente da CNTM e Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região Coordenadora Nacional das Mulheres da Força Sindical e do MetalMulheres 16 out 2026

O Brasil unido conquistou uma vitória histórica. O trabalho precisa respeitar a vida!

Às trabalhadoras e aos trabalhadores brasileiros,

Hoje celebramos uma conquista histórica da classe trabalhadora brasileira. A luta pelo fim da escala 6×1 representa muito mais do que uma mudança na jornada de trabalho. É a afirmação de que nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente justa enquanto milhões de pessoas são obrigadas a dedicar quase todo o seu tempo ao trabalho, sacrificando o descanso, a saúde, a convivência familiar e os próprios sonhos.

Essa vitória tem um significado especial para nós, mulheres. Durante gerações, enfrentamos jornadas exaustivas dentro e fora do ambiente profissional. Ao trabalho remunerado somam-se, frequentemente, as responsabilidades com a casa, os filhos, os idosos e o cuidado com a família. Enquanto muitos encerram o expediente, inúmeras mulheres começam uma segunda jornada, quase sempre invisível e pouco reconhecida. A escala 6×1 agravava essa realidade, transformando o descanso em uma breve pausa antes de recomeçar o ciclo de cansaço.

Por isso, defender o fim dessa jornada é defender a dignidade das mulheres, a igualdade de oportunidades e o direito de viver. É permitir que mais trabalhadoras tenham tempo para estudar, cuidar da saúde, acompanhar o crescimento dos filhos, participar da vida política e comunitária e construir seus próprios projetos. É reconhecer que a vida humana vale muito mais do que a capacidade de produzir.

Mas essa conquista não pertence a uma única pessoa, a um partido ou a uma organização. Ela é fruto de uma grande mobilização nacional, construída pela força da organização coletiva e pela união de diferentes setores da sociedade brasileira.

Quero destacar o papel fundamental das centrais sindicais, das federações e dos sindicatos, que historicamente transformam as necessidades dos trabalhadores em reivindicações coletivas. São organizações que estão nas fábricas, nos escritórios, no comércio, nos serviços e nos locais de trabalho, ouvindo as pessoas, denunciando injustiças e defendendo direitos. A mobilização sindical demonstra, mais uma vez, que a organização coletiva é um dos instrumentos mais importantes para transformar a realidade.

Também reconheço a contribuição das organizações sociais, dos movimentos populares, do movimento estudantil e de tantas pessoas que compreenderam a importância dessa pauta e se somaram à luta. Quando estudantes, trabalhadores, entidades sindicais, movimentos sociais e cidadãos se unem em torno de um objetivo comum, a democracia ganha força e a sociedade amplia sua capacidade de conquistar mudanças.

O Brasil mostrou que é possível construir convergências em defesa de uma causa que toca a vida de milhões de famílias. Essa união precisa permanecer como exemplo para as próximas gerações. Que fique a lição de que nenhuma transformação profunda acontece sem participação popular, diálogo, mobilização e coragem para enfrentar interesses contrários aos direitos da maioria.

Quero expressar meu agradecimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao seu governo pelo compromisso e pelo empenho em fortalecer essa pauta e contribuir para seu avanço. O apoio do presidente foi fundamental para colocar a reivindicação no centro do debate nacional e demonstrar, mais uma vez, a importância de um governo comprometido com a classe trabalhadora. Reconhecer esse papel é valorizar uma posição política que compreende que o desenvolvimento do país precisa caminhar junto com a dignidade de quem trabalha.

A luta pelo fim da escala 6×1 também nos permite olhar para além das fronteiras brasileiras. Em muitos países, mulheres e homens enfrentam jornadas extensas, pouco tempo de descanso e dificuldades para conciliar trabalho e vida pessoal. A experiência brasileira pode inspirar novas mobilizações internacionais e fortalecer a convicção de que é possível exigir relações de trabalho mais humanas, com respeito, saúde e dignidade.

Essa vitória, entretanto, não encerra nossa caminhada. Precisamos continuar mobilizadas para garantir que os direitos conquistados sejam efetivamente respeitados, sem redução salarial e sem novas formas de precarização. Também precisamos avançar no combate à desigualdade salarial, ao assédio, à discriminação e à distribuição injusta das responsabilidades domésticas e de cuidado.

Como coordenadora nacional das Mulheres da Força Sindical, reafirmo nosso compromisso com a defesa das trabalhadoras brasileiras. Queremos um país em que as mulheres tenham igualdade de oportunidades, reconhecimento profissional, autonomia econômica e condições reais para participar de todos os espaços da sociedade. Queremos que nossos filhos cresçam compreendendo que o cuidado é uma responsabilidade compartilhada e que nenhuma mulher deve ser obrigada a renunciar à própria vida para cumprir todas as expectativas que lhe são impostas.

O fim da escala 6×1 representa uma mudança importante na maneira de compreender o trabalho e o desenvolvimento. Não basta produzir mais se as pessoas vivem exaustas. Não basta crescer economicamente se as famílias não têm tempo para conviver. O verdadeiro progresso precisa ser medido também pela saúde, pela liberdade, pela igualdade e pela qualidade de vida da população.

Que essa conquista seja lembrada como resultado da união de um país que decidiu avançar. Que sirva de inspiração para outras lutas e que jamais nos esqueçamos de que os direitos se constroem com organização, solidariedade e participação democrática.

Às mulheres trabalhadoras, meu respeito e minha admiração. Aos trabalhadores brasileiros, minha solidariedade. Às entidades sindicais, aos movimentos sociais, aos estudantes e a todos que contribuíram para essa caminhada, meu reconhecimento.

Quando o Brasil se une em torno da dignidade humana, a esperança se transforma em conquista. Trabalhar é um direito, descansar é um direito e viver plenamente também é um direito.

Seguiremos juntas e juntos, defendendo cada avanço e construindo um país em que o trabalho esteja a serviço da vida, e não a vida subordinada ao trabalho.

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #19