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6ª Estação Mulher mostra que Política de Cuidados é ferramenta para equidade

Por Auris Sousa | 16 mar 2026

A 6ª edição da Estação Mulher reforçou no sábado, 14, a Política Nacional de Cuidados como uma ferramenta fundamental para promover mais equidade entre homens e mulheres. Realizado no Metalclube, o encontro foi conduzido pelas as diretoras do Sindicato e reuniu trabalhadoras e seus companheiros que refletiram e receberam informações sobre este tema que impacta diretamente a vida das mulheres.

“O cuidado é um trabalho, que demanda tempo e é fundamental para a economia funcionar. Ele precisa ser valorizado economicamente e socialmente, precisa ser visibilizado por toda sociedade e ser uma responsabilidade de todos (estado, famílias – dentro da família, também dos homens- e do próprio mercado de trabalho). O sistema capitalista se apropria deste trabalho para ter mais lucro, o qual precisa ser valorizado economicamente e socialmente”, destacou Rosane Silva, Secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, que apresentou como esta Política Pública, criada pelo Governo Federal, busca reorganizar e distribuir de maneira mais justa as responsabilidades relacionadas ao cuidado, que historicamente recaem quase sempre sobre as mulheres.

Em resumo, a política, que envolve o compromisso do Estado, das famílias, da sociedade e também das empresas, prevê a ampliação de serviços e estruturas que apoiem o cotidiano das famílias, como creches, cuidotecas, lavanderias comunitárias, entre outros. “Para gente é muito bom, é uma correria tremenda e nós, realmente, não temos muito apoio. Quando a minha filha era pequena, eu tinha que me virar para pagar perua, escola [contraturno] e alguém para cuidar dela. Nunca tive um braço para poder me apoiar. A creche ajuda muito e a gente [mães] realmente precisa disso”, destacou a companheira Leila, que trabalha na Southco.

Para mães atípicas a rotina de Cuidado é ainda mais intensa e solitária. “80% destas mulheres são abandonadas pelos maridos, após a confirmação do laudo de deficiência da criança, elas ficam sozinhas”, chamou atenção Gislaine que destacou: “Hoje estamos completamente fora do mercado de trabalho, não por opção, mas porque somos obrigadas pela demanda intensa. Somos refém do INSS ou nem isso, porque muitas não conseguem nem o auxílio”, c­­ompartilhou Gislaine Farias, do Movimento Oz – Mães e Pais Atípicos.   

Redução da Jornada – O presidente do Sindicato, Gilberto Almazan (Ratinho), destacou que o fim da escala 6X1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, também é uma luta “que pode aliviar a dupla jornada das mulheres, que conciliam o trabalho com as tarefas diárias de casa”.

Rosangela Hilário, Professora, Doutora e Membra do CDESS, destacou a importância de combater a desigualdade e um dos caminhos para isso, ela defende: “Do ponto de vista social, quando tivermos a compreensão que educamos seres humanos com responsabilidades afetivas, sociais, econômicas e consigo próprio, a sociedade vai começar a mudar. Do ponto de vista laboral, é saber que as pessoas, na medida que são educadas como seres humanos, elas saberão fazer as melhores escolhas, inclusive, em relação a relacionamento, ao trabalho, a divisão do trabalho doméstico”.

Todos por Todas – Outro ponto importante da conversa foi o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que reúne o compromisso entre os três poderes para atuar de forma integrada no enfrentamento ao feminicídio. João Salgado, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, foi o responsável por apresenta-lo à categoria. ­­­­

Segundo ele, o Pacto relaciona 15 ações prioritárias, dentre elas, a implantação de 52 Unidades Móveis – Salas Lilás Itinerantes para acolhimento e atendimento a mulheres em situação de violência.

“O presidente Lula deu um comando e, pela primeira vez, os homens pegaram a causa e os Três Poderes vão trabalhar em forma integrada em prol do combate ao feminicídio”, disse João, que ressaltou: “temos que envolver cada vez mais homens, porque este é um problema do homem, a mulher é a vítima. Repreende o amigo, fez comentário machista, dá um puxão de orelha! Vamos ficar atentos a isso”. 

Dia de lazer – Para que as mães pudessem participar do debate, as crianças tiveram um dia de lazer com atividades e brinquedos espelhados pelo Metalclube. Também houve a participação das Mulheres da Economia Solidária, que expuseram e venderam os seus produtos ao longo do dia.

Assista também à entrevista da Secretária Rosane Silva ao Hora da Boia: 

 

 

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #04