SEJA SÓCIO!

Notícias
COMPARTILHAR

Estudo mostra que mulheres ainda ganham menos que homens em aplicativos

Por Sabryne Almeida | 23 abr 2026
notice

Reprodução / Segib

Um estudo divulgado pela Segib (Secretaria-Geral Ibero-Americana), pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pela ONU Mulheres revela a desigualdade de gênero no trabalho por aplicativos. A pesquisa foi realizada em 22 países da América Latina, incluindo o Brasil, e estima que cerca de 3,5 milhões de mulheres, o equivalente a 2,5% da força de trabalho feminina, dependem de plataformas digitais para gerar renda.

As plataformas chamam a atenção pela flexibilidade e pela possibilidade de ganhos imediatos. Para muitas mulheres, o trabalho online surge como preferência ou necessidade, principalmente pela possibilidade de atuar de casa e conciliar as responsabilidades domésticas.

Um dos dados mais relevantes apontados é que a desigualdade salarial não se explica apenas por diferenças de formação. Mesmo quando possuem níveis educacionais iguais ou superiores aos dos homens, as mulheres continuam recebendo menos.

O relatório destaca três fatores principais para esse cenário:

  • As mulheres estão concentradas em funções menos valorizadas, como atendimento ao cliente e tarefas administrativas, enquanto os homens predominam em áreas tecnológicas mais bem remuneradas.
  • Cerca de 25% do tempo das trabalhadoras é considerado ocioso, já que o trabalho online nem sempre oferece vagas continuamente, sendo comum a espera por chamadas ou a busca por tarefas.
  • Responsabilidades familiares limitam a disponibilidade para horários de maior demanda, geralmente noturnos, que costumam ser priorizados pelos algoritmos das plataformas.

Nos serviços por localização, como transporte e entregas, o estudo aponta níveis elevados de assédio e violência. Também há uma sensação generalizada de insegurança, agravada pela ausência de mecanismos eficazes de proteção.

Como a maioria das trabalhadoras é classificada como autônoma, o acesso a direitos básicos é limitado, incluindo:

  • licença-maternidade;
  • auxílio-doença;
  • previdência social.

Apesar da promessa de autonomia e flexibilidade, o trabalho por aplicativos ainda reproduz desigualdades históricas de gênero. A permanência da diferença salarial, a sobrecarga doméstica e a falta de acesso a direitos básicos mostram que, sem regulação e proteção adequada, a tecnologia pode ampliar a precarização enfrentada por milhões de mulheres.

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #07