SEJA SÓCIO!

Notícias
COMPARTILHAR

169 empregadores são incluídos na “lista suja” do trabalho escravo

Por Sabryne Almeida | 08 abr 2026

© Wellyngton Souza/Sesp-MT

A “lista suja” do trabalho escravo teve mais 169 nomes incluídos, totalizando 613 empresas e pessoas físicas autuadas por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. Entre os novos registros, dois chamaram atenção: o cantor Amado Batista e a fabricante chinesa de carros elétricos BYD.

BYD

A BYD, que terceirizou serviços na unidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA), em junho do ano passado, foi atuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego por submeter trabalhadores chineses a condições degradantes. Investigações apontam que mais de 400 trabalhadores foram trazidos de forma irregular ao Brasil para atuar nas obras da fábrica, possivelmente por meio de tráfico de pessoas. Desses, 163 foram resgatados em situação análoga à escravidão.

Amado Batista

O cantor Amado Batista também passou a integrar a lista. Segundo o documento, 14 trabalhadores foram submetidos a condições degradantes em sua fazenda, localizada na zona rural de Goianápolis (GO). Em nota, a assessoria do artista nega as acusações e afirma que foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores vinculados a uma empresa terceirizada. Informou ainda que houve acordo com o Ministério Público e que estão sendo adotadas “todas as providências administrativas para o encerramento” das autuações.

Em 2024, Emival Eterno da Costa, nome verdadeiro do cantor Leonardo, também foi incluído na lista. Em situação semelhante à de Amado Batista, um adolescente de 17 anos e outros cinco trabalhadores foram resgatados na Fazenda Talismã, no interior de Goiás. Eles relataram dormir em uma casa abandonada, sem acesso a água potável, banheiro ou colchões. O espaço era improvisado com tábuas de madeira e galões de agrotóxicos. Além disso, trabalhavam por até 12 dias seguidos, sem descanso, realizando atividades como a remoção de pedras, raízes e tocos de árvores, sem equipamentos de proteção. As refeições eram feitas sob uma árvore, e a água era armazenada em garrafas térmicas.

O nome do artista foi retirado da lista em 2025, após firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o MPT (Ministério Público do Trabalho ), com pagamento de R$ 225 mil em indenizações aos trabalhadores e R$ 94 mil em multas.

Criada em novembro de 2003, a “lista suja” é atualizada a cada seis meses pelo governo federal. Os nomes são incluídos após o esgotamento do direito de defesa em duas instâncias administrativas e permanecem no cadastro por dois anos.

O cadastro é considerado pela ONU um dos mais relevantes instrumentos de combate ao trabalho escravo no mundo, por garantir transparência. [Com Agência Brasil]

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #06