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94 anos de uma luta contínua: o direito ao voto feminino no Brasil

Por Sabryne Almeida | 24 fev 2026

Há 94 anos, o Brasil conquistava um feito inédito. O direito ao voto feminino, garantido pelo Código Eleitoral de 1932, foi resultado da mobilização de mulheres que enfrentaram resistência para ocupar espaços historicamente negados. A conquista representou um avanço na cidadania, mas também um passo fundamental para que as mulheres trabalhadoras pudessem incidir sobre as decisões que impactam diretamente suas vidas e seus direitos.

A luta sufragista, movimento responsável por reivindicar o direito ao voto e a igualdade de direitos políticos e civis às mulheres, liderada por nomes como Bertha Lutz, abriu caminho para que as eleitoras brasileiras passassem a exercer um direito fundamental à cidadania. Apesar da grande conquista, o voto feminino inicialmente era facultativo e passou a ser obrigatório somente em 1965, tendo o mesmo peso que o voto exercido pelos homens.

Voto feminino

Fonte: Agência Câmara de Notícias” width=”681″ height=”408″ /><noscript><img decoding=Reprodução/EBC

Apesar de representarem 52% da população brasileira, as mulheres seguem sub-representadas nos espaços de poder. O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de mulheres no parlamento. As mulheres ocupam cerca de 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 13% no Senado. Essa desigualdade política reflete barreiras estruturais que também se manifestam no mundo do trabalho, como a desigualdade salarial, sobrecarga com as tarefas domésticas e violência política de gênero. Dados são da ONU Mulheres e da União Interparlamentar (UIP).

Em 2024, 727 mulheres foram eleitas prefeitas, o que representa apenas 13% dos 5.569 municípios brasileiros. Em 2022, apenas dois estados elegeram mulheres governadoras: Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e Raquel Lyra, em Pernambuco. A baixa presença feminina nos Executivos impacta diretamente a formulação de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero, à valorização do trabalho e à proteção social.

O Brasil teve uma única mulher na Presidência da República, Dilma Rousseff, eleita pelo povo em 2010 e reeleita em 2014. Sua trajetória escancara como as mulheres que ocupam posições de poder enfrentam ataques e violência política de gênero.

Isso reflete o quanto as mulheres ainda enfrentam desigualdades que precisam ser combatidas, desde a divisão desigual das responsabilidades domésticas até a violência política, que limitam a plena representatividade nos espaços de poder.

Celebrar os 94 anos do voto feminino é reafirmar a importância da organização coletiva das mulheres, nas ruas, nas urnas e nos sindicatos.

Se o direito ao voto foi uma conquista histórica, a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão segue sendo uma tarefa urgente. Democracia se fortalece com mais mulheres no parlamento, nas prefeituras, nos governos e nas direções sindicais. [Com Agência de Notícias]

 

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #03