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Ato em Osasco chama atenção para a violência contra as mulheres e cobra mais políticas públicas

Por Auris Sousa | 11 ago 2026

Representantes de sindicatos e movimentos sociais da região ocuparam o Calçadão de Osasco, no sábado, 8, em um ato de enfrentamento à violência contra as mulheres. A mobilização denunciou a falta de segurança pública para as mulheres paulistas.

Segundo dados publicados pelos G1, nos primeiros três meses deste ano, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 25 horas no estado de São Paulo. Foram 86 casos, alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025 e de 72% na comparação aos mesmos meses de 2022. É o maior número de casos no período desde o início da série histórica.

Alguns desses casos estavam representados de forma simbólica num varal. Priscila Alves Versão, de 22 anos, estava entre eles. Ela foi espancada até a morte pelo companheiro, de 35 anos, em fevereiro de 2026, na Zona Norte de São Paulo.

“No ano passado, foram 1.500 mulheres assassinadas pelo fato de serem mulheres. Teve algumas que foram mortas a pauladas, a facadas, empurradas das escadas, arrastadas. Esses não são números, são mães, filhas, tias, namoradas e esposas, assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros”, chamou atenção da população a vice-presidente do Sindicato, Mônica Veloso.

Durante o ato, a diretora Jeane Nilo chamou atenção para os casos também cometido dentro das escolas. “Está acontecendo nas escolas. Adolescentes estão achando que as namoradas são propriedade deles. Até quando vamos fechar os olhos para isso”, questionou ela, que completou: “não podemos nos importar apenas quando for com nossas parentes. Todas merecem viver sem violência.”

20 Anos da Lei Maria da Penha

As militantes destacaram que a Lei é importante, porque pode proteger, mas ela só é eficaz se a sociedade fazer a sua parte. Ao invés disso, o governo do Estado de São Paulo cortou 54,4% da verba de políticas para as mulheres no orçamento de 2025. Isso resulta em 0,18 centavos de investimento por mulher para o ano inteiro. Além disso, as DDMs (Delegacias) são poucas e insuficientes, e a maioria continua de portas fechadas fora do horário comercial.

Por isso, durante o ato, também foram coletadas assinaturas em apoio à reivindicação para que o Estado de São Paulo amplie os recursos destinados às políticas públicas voltadas às mulheres. “Essa luta é de todos, é de todas. Participe do abaixo assinado, participe dessa luta com a gente. Talvez seja a sua filha, sua irmã que esteja sofrendo violência”, alertou a diretora Etelvina Guimarães (Teca).

“O feminicídio não é um problema apenas das mulheres, mas de toda sociedade”, destacou a diretora Creusa de Oliveira.

Assista também: 

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #13