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86,6% dos reajustes salariais superam inflação em 2026, diz Dieese

Por Sabryne Almeida | 25 set 2026

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que 86,6% dos reajustes salariais negociados entre janeiro e agosto de 2026 ficaram acima da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O resultado considera 13.181 negociações coletivas registradas no Mediador, plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo o levantamento, 10% dos reajustes analisados ficaram exatamente no mesmo nível da inflação, enquanto 3,4% ficaram abaixo do índice. O ganho real médio, considerando o conjunto das negociações, foi de 1,40% acima da inflação.

Na divisão por setores, os serviços registraram o maior ganho real médio, de 1,50%. O comércio aparece em seguida, com 1,36%, enquanto a indústria teve média de 1,31%. No setor rural, o ganho real médio foi de 1,13%.

O estudo também mostra que os resultados variam de acordo com o mês de negociação. Em agosto, 86,9% dos 191 reajustes analisados ficaram acima do INPC. Outros 7,3% foram iguais à inflação e 5,8% ficaram abaixo dela. O ganho real médio dos reajustes negociados no mês foi de 1,17%.

Entre as negociações de agosto, os reajustes acima da inflação apresentaram diferentes faixas de ganho. Em 34,6% dos casos, o aumento real ficou entre 1% e 2%; em 21,5%, ficou entre 0,5% e 1%; e em 18,8% das negociações, o ganho real foi superior a 2%.

O Dieese aponta ainda que o reajuste necessário para setembro, para repor integralmente a inflação acumulada nos 12 meses anteriores, é de 3,98%, considerando o INPC. O índice é utilizado como referência em negociações salariais e serve para medir a variação do custo de vida das famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Os dados fazem parte do boletim De Olho nas Negociações nº 72, elaborado pelo Dieese com informações registradas no Mediador até 11 de setembro de 2026. O levantamento considera negociações de trabalhadores do setor privado, empresas estatais e empresas públicas.

Jornal Visão Trabalhista EDIÇÃO #18