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47º Ciclo de Debates: metalúrgicos da região debatem excesso da jornada e Previdência Social

Por Igor Souza | 24 jul 2026

O 47º Ciclo de Debates, realizado na quinta-feira, 23, na sede do Sindicato, reuniu metalúrgicos e metalúrgicas de Osasco e região para refletir sobre Previdência Social e os impactos do excesso de jornada na saúde dos trabalhadores. A atividade também marcou os 63 anos do Sindicato.

A professora Frida Fischer, do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP e Vitor Pagani, Diretor de Relações Sindicais do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estáticas Socioeconômicas) foram os responsáveis por subsidiar o debate com dados pertinentes. 

Segundo estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da OIT (Organização Internacional do Trabalho), apresentados pela professora Frida, ocorrem, anualmente, 745 mil mortes em todo o mundo atribuídas a jornadas de trabalho que têm mais de 55 horas semanais.

Além disso, os dados deste estudo mostram que as mortes por doenças cardíacas relacionadas ao excesso de jornada cresceram 42% desde o início dos anos 2000.

Durante o Ciclo, a professora Frida também destacou que as transformações no mundo do trabalho ampliaram a disponibilidade permanente dos trabalhadores. “Com o WhatsApp, o e-mail e as metas remotas, o trabalho invade a casa. O espaço de descanso torna-se uma extensão da empresa”, alertou. 

A professora considera a redução da jornada de trabalho uma ferramenta importante para amenizar os impactos, no entanto, destacou que “não podemos esquecer que existem outros problemas além da jornada, que podem persistir mesmo com jornadas reduzidas e também merecem nossa atenção”.

Entre esses fatores, ela citou a baixa remuneração, a exposição a ruídos, o desconforto térmico agravado pelas mudanças climáticas e a precarização das relações de trabalho.

Previdência Social em Debate 

Na sequência, Vitor Pagani, do Dieese, fez um resgate histórico da Previdência Social, que é fruto da organização e da luta da classe trabalhadora.

Lembrou dos ataques que o sistema sofreu nos últimos anos, como a reforma trabalhista de 2017, que contribuiu para o aumento da informalidade e a precarização das relações de trabalho.

“A reforma de 2017 tornou o trabalho mais irregular, incentivou a pejotização, ampliou a contratação de trabalhadores como pessoa jurídica, enfraquecendo [assim] a proteção social”, observou ele, que também apontou os impactos provocados pela Reforma da Previdência de 2019.

“A Reforma de 2019 retirou direitos. Mas as greves gerais e a pressão social conseguiram evitar perdas ainda maiores para os trabalhadores”, avaliou ele, que reforçou que a Previdência Social não é uma concessão do Estado, mas uma conquista histórica construída pela mobilização da classe trabalhadora e que precisa ser defendida continuamente.

63 anos de lutas

O ciclo terminou com uma salva de palmas para o 63 anos de luta e conquistas do Sindicato.

O presidente Gilberto Almazan (Ratinho) enfatizou que “O Sindicato é de todos”

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